CBF pede ao Ministério Público que investigue o presidente da Gaviões da Fiel por dizer que a torcida sabe onde os árbitros se hospedam
Representação criminal foi protocolada no MP-SP na quinta; Alê Domenico diz que postou “de cabeça quente”, nega ameaça, e o Corinthians recebe o Mirassol hoje sob reforço na segurança da arbitragem
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) protocolou na quinta-feira (29) uma representação criminal e um pedido de providências no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra Alexandre Domênico Pereira, o Alê, presidente da Gaviões da Fiel, maior torcida organizada do Corinthians, informaram o Lance!, o Metrópoles e a CNN Brasil. O motivo é uma publicação feita por ele nos stories do Instagram na quarta-feira (28), em que afirma que a torcida recebeu mensagens sobre onde os árbitros ficam hospedados antes dos jogos.
Segundo o Metrópoles, Alê escreveu que “a cota de vocês roubarem a gente dentro da Arena já deu” e que estava “ficando insustentável segurar a massa”. O texto dizia que aquilo não era uma ameaça, e sim um aviso, e cobrava responsabilidade dentro e fora do estádio, relatou o Lance!. Para a CBF, a publicação ultrapassa a crítica à arbitragem e tem caráter intimidatório, sobretudo pela menção aos hotéis dos árbitros somada às advertências do dirigente. A entidade disse que criticar a arbitragem é legítimo, mas que a crítica não pode virar intimidação.
De acordo com o Lance! e a CNN Brasil, a CBF pede a abertura de um Procedimento Investigatório Criminal ou a requisição de inquérito policial; a preservação dos dados da publicação; depoimentos de dirigentes da Gaviões; a investigação de como as informações sobre a hospedagem dos árbitros foram obtidas, para saber se houve vazamento ou acesso indevido; e que a Justiça proíba Alê de frequentar estádios e arredores em dias de jogo e de se aproximar de árbitros. A confederação também avalia medidas cíveis e coletivas contra o presidente, outros dirigentes e a própria torcida. Como enquadramentos para análise das autoridades, o Lance! cita ameaça, incitação ao crime e incitação à violência relacionada a evento esportivo.
Alê respondeu nas redes sociais. Segundo a CNN Brasil, disse que publicou no perfil pessoal, como corintiano e “de cabeça quente”, e não em nome da Gaviões; negou ter feito ameaça e afirmou que reproduziu mensagens de torcedores revoltados para mostrar o clima entre a torcida. Ele defendeu o uso da palavra “roubo” como gíria comum de arquibancada, e não como acusação de crime, citou que o Corinthians teria passado 31 rodadas sem um pênalti a favor e disse que vai continuar cobrando uma arbitragem justa e transparente. Ao Metrópoles, completou que a arbitragem deixou o estádio tranquilamente.
O pedido inclui reforço imediato na segurança dos árbitros nos próximos jogos do Corinthians, com articulação com a Secretaria da Segurança Pública e a Polícia Militar em estádios, hotéis e trajetos. O primeiro deles é nesta sexta-feira (30), às 20h, contra o Mirassol, na Neo Química Arena, pela 33ª rodada do Brasileirão, com arbitragem de Matheus Delgado Candançan e VAR de José Cláudio Rocha Filho. O segundo é o clássico contra o São Paulo, em 4 de novembro, também citado pela CBF na representação, segundo o Lance!.
O episódio aumenta a pressão em torno de um Corinthians que é o 18º colocado, com 33 pontos, e está há dez jogos sem vencer no campeonato. Nos últimos dias, organizadas protestaram e chegaram a se reunir com jogadores no CT Joaquim Grava, com autorização da diretoria, segundo A Crítica. Na quinta, a Federação Paulista de Futebol, por recomendação do mesmo MP-SP, já havia suspendido a Torcida Jovem Camisa 12 dos estádios até o fim de 2026. Até a última atualização das reportagens, nem o MP-SP nem o Corinthians tinham se manifestado sobre a representação.
Informações de Lance!, CNN Brasil, Metrópoles e A Crítica.
