Corinthians suspende contrato de R$ 22 milhões com a Fatal Fans por ordem da Justiça e terá de tirar a marca do calção
Liminar da Vara da Infância e da Juventude do Tatuapé, pedida pelo Ministério Público, dá 15 dias para retirar o patrocínio de uniformes e canais oficiais; clube diz que vai cumprir e apresentar defesa
O Corinthians suspendeu os efeitos do contrato de patrocínio com a Fatal Fans, plataforma de conteúdo adulto ligada à Fatal Model, para cumprir uma decisão liminar da Vara da Infância e da Juventude do Foro Regional do Tatuapé, em São Paulo. A posição do clube foi divulgada na virada de segunda (5) para terça-feira (6), segundo a Gazeta Esportiva e o InfoTimão. A medida é provisória: o contrato não foi rescindido, e o Corinthians afirma que vai apresentar sua defesa no processo.
A decisão atende a uma ação civil pública do Ministério Público de São Paulo, que corre em segredo de Justiça. Segundo a Gazeta Esportiva e o Lance!, o juízo entendeu que a divulgação da marca "alcança significativo público infantojuvenil" e representa "risco concreto à integridade emocional, à dignidade e ao desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes". A liminar, de 1º de outubro, deu 15 dias para o clube retirar ou cobrir a marca de uniformes, espaços esportivos e canais digitais, apagar dos perfis oficiais os links que levam à plataforma e implantar mecanismos de verificação de idade para impedir o acesso de menores ao conteúdo.
O acordo foi anunciado no fim de junho e prevê R$ 22 milhões até dezembro de 2027, valor que pode chegar a R$ 31 milhões com metas e renovação, de acordo com a Gazeta Esportiva e o Meu Timão. A marca aparece no calção do time masculino e também nos uniformes do basquete e do futsal, além de campanhas do futebol feminino. Segundo o Meu Timão, parte do dinheiro já recebido foi usada para quitar pendências que geraram punições de transfer ban da Fifa. O clube ainda não informou o que acontece com as parcelas futuras nem se terá de devolver algum valor, observou o InfoTimão.
Em nota, o Corinthians disse que "a proteção de crianças e adolescentes e o respeito às mulheres fazem parte de compromissos institucionais já adotados" e citou a campanha Respeita As Minas, mantida desde 2018. A Fatal Fans, por sua vez, declarou à Gazeta Esportiva que atua "em total conformidade com o ECA Digital", mantém "rigorosos controles de verificação de idade" e que o patrocínio é apenas institucional, com exposição do logotipo, "sem exibição de imagens, links ou conteúdos impróprios para menores".
A liminar também complica outra negociação. A Fatal Model ofereceu R$ 120 milhões por uma temporada de patrocínio máster da camisa, espaço hoje ocupado pela Esportes da Sorte, casa de apostas atingida pela medida provisória que proibiu a publicidade das bets. Ao Lance!, o diretor de negócios da Fatal Model, Samuel Ongaratto, disse na semana passada que a proposta foi discutida com o clube e que "as bets fazem propostas muito superiores ao que qualquer outro segmento no Brasil consegue acompanhar". Segundo o InfoTimão, não há decisão sobre essa oferta.
O problema fora de campo chega num momento delicado dentro dele. O Corinthians é o 14º colocado do Brasileirão, com 32 pontos, três acima da zona de rebaixamento, e soma seis jogos seguidos sem vencer, com oito vitórias, oito empates e 12 derrotas em 28 rodadas, segundo o Lance!. O time de Fernando Diniz volta a campo nesta quarta-feira (7), às 19h30, contra o Internacional, no Beira-Rio, pela 29ª rodada, e no domingo (11) faz o Dérbi contra o Palmeiras no Nubank Parque. O prazo de 15 dias para tirar a marca da Fatal Fans dos uniformes termina na segunda quinzena de outubro.
Informações de Gazeta Esportiva, InfoTimão, Lance!, Meu Timão e Lance! (Fatal Model).