MP que proíbe as bets tira R$ 1,14 bilhão de 14 clubes da Série A; Bap prevê rombo de até R$ 430 milhões no Flamengo
Marcas de apostas têm de sair de camisas, placas e estádios até 23h59 de 5 de outubro; governo promete ouvir clubes antes de discutir compensação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na sexta-feira (25) uma medida provisória que proíbe a operação de sites de apostas esportivas e de cassinos online no Brasil. A MP vale a partir da publicação, e novos depósitos nas plataformas ficam vedados. Os apostadores têm até as 23h59 (horário de Brasília) de 5 de outubro para sacar o saldo das contas; a partir de 6 de outubro as empresas saem do ar. O texto precisa ser votado pelo Congresso em até 120 dias para virar lei; se não for, perde a validade.
O impacto no futebol é direto. Segundo a InfoMoney, a MP fixou o mesmo prazo, 23h59 de 5 de outubro, para a retirada de toda publicidade e patrocínio do setor: logomarcas nos uniformes, placas à beira do campo, naming rights de estádios e marcas em transmissões. Em 2025, as casas de apostas pagaram R$ 1,14 bilhão aos clubes da Série A, 7,9% da receita total, e 14 dos 20 times tinham uma bet como patrocinadora máster. As próprias competições da CBF também são afetadas: a Série A leva o nome de uma casa de apostas, e a Copa do Brasil e a Série B têm patrocínio do setor, segundo o Diário do Nordeste.
O jornal O Tempo publicou neste sábado (26), com dados da consultoria Sports Value, quanto cada clube recebia das bets em 2025. O Flamengo lidera, com R$ 220 milhões, seguido por Corinthians (R$ 150 milhões), Palmeiras (R$ 100 milhões), São Paulo (R$ 90 milhões), Atlético-MG (R$ 62 milhões), Fluminense (R$ 58 milhões) e Botafogo (R$ 55 milhões). Vasco e Cruzeiro recebiam R$ 50 milhões cada, o Grêmio R$ 43 milhões, o Santos R$ 35 milhões, o Vitória R$ 20 milhões, o Remo R$ 12 milhões e a Chapecoense R$ 10 milhões. Bahia, Mirassol, Athletico-PR, Red Bull Bragantino, Internacional e Coritiba não tinham casa de apostas como patrocinadora máster.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, foi o primeiro dirigente a falar em números. À CNN Brasil, na tarde de sexta, disse que a medida “traria impactos desastrosos para o Flamengo como um todo, não só no futebol, mas também nos esportes olímpicos”. “A gente estima que as perdas imediatas de receita para o ano que vem sejam de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões e, sem um preparo prévio, é absolutamente impossível que você consiga estancar essa sangria”, afirmou. Segundo o Metrópoles, Bap calcula que o futebol brasileiro como um todo pode perder de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões em 2026.
Em São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo reagiram por meio da Federação Paulista de Futebol, que divulgou nota alertando que o corte dessas receitas inviabiliza repasses às categorias de base e ao futebol feminino; os quatro clubes reproduziram o texto em seus canais oficiais. Do lado das empresas, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) anunciou que vai à Justiça. O presidente da entidade, Plínio Lemos Jorge, lembrou ao Metrópoles que cada operadora pagou R$ 30 milhões pela outorga de cinco anos e disse que vai pedir esse valor de volta, além de danos materiais e morais.
O governo não prometeu socorro imediato. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse na sexta que, “por determinação do presidente Lula”, vai chamar clubes e confederações “para entender qual é o real impacto”, e afirmou que o patrocínio das bets representa, em média, um percentual de um dígito nos orçamentos. Sobre uma compensação, foi direto: “Caso seja necessário, caso essa seja a avaliação do governo, vamos adotar uma medida na sequência. Mas para hoje, não”. Até 5 de outubro, os clubes precisam tirar as marcas das camisas e renegociar ou encerrar os contratos, enquanto a MP tramita no Congresso e a ANJL prepara a ação judicial.
Informações de CNN Brasil, InfoMoney, O Tempo, Metrópoles, Metrópoles (ANJL) e ABCD Jornal.