Jardim assume a culpa pela queda na Libertadores e defende cobradores: "Não é hoje que vou ensinar esses jogadores a bater pênaltis"
Técnico diz que o time dominou com quase 75% de posse, mas não foi efetivo; Arrascaeta cobra o elenco na ESPN e Léo Pereira pede desculpas à torcida
Leonardo Jardim chamou para si a responsabilidade pela eliminação do Flamengo na semifinal da Libertadores. Na entrevista coletiva depois do 0 a 0 com o Estudiantes e da derrota por 3 a 2 nos pênaltis, na noite desta quinta-feira (22), no Maracanã, o técnico português evitou culpar os jogadores que erraram as cobranças. "Agora é fácil apontar o dedo, mas o responsável é sempre o treinador", disse, segundo o Lance!. "O treinador tem que assumir a responsabilidade, porque é o nosso papel. Nunca fugi disso e não vai ser agora."
Sobre o jogo, Jardim afirmou que o Flamengo controlou a partida, mas não transformou o domínio em gols. "Dominamos o jogo. Tivemos quase 75% de posse de bola, mas, em termos de efetividade, não conseguimos. Criamos duas chances de gol, mas não conseguimos criar mais", declarou, de acordo com o Lance!. Ao Metrópoles, a fala registrada foi semelhante: "Criamos duas ou três situações de gol, mas não fomos capazes de criar mais. E não conseguimos finalizar, que é o objetivo." O time jogou com um a mais desde o início do segundo tempo, após a expulsão de Baltasar Rodríguez, e parou no goleiro uruguaio Fernando Muslera.
Muslera defendeu as cobranças de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique. Questionado sobre Jorginho, que até então nunca tinha perdido um pênalti pelo Flamengo, Jardim respondeu: "Só falha quem marca", segundo o Metrópoles. O técnico contou que o grupo fez dois treinos de pênaltis na semana e que, nas séries de três, muitos dos escolhidos tiveram 100% de aproveitamento. "Coloquei os jogadores mais consagrados, acostumados a bater pênaltis no clube e na seleção", disse ao Lance!. "Sinceramente, não é hoje que vou ensinar esses jogadores desse nível a bater pênaltis e como devem bater. Com certeza, eles batem melhor do que nós."
Jardim também explicou duas decisões contestadas. Sobre começar com Pedro, e não com Bruno Henrique, disse que esperava um jogo de muita posse: "O Pedro é um jogador melhor que o Bruno para o jogo posicional. O Bruno é de mais transição", e citou que "na fase de grupos, o Pedro fez o gol da vitória". "Se o BH fosse titular e o Pedro no banco e perdêssemos nos pênaltis, a questão seria o contrário." Sobre Arrascaeta, que voltava de fratura no punho esquerdo e entrou aos 19 minutos do segundo tempo, afirmou que ele "dificilmente começaria a partida", mas que, com um a mais e o adversário fechado, "era o melhor jogador para esse tipo de jogo", segundo o Lance!.
Os jogadores também falaram. Arrascaeta, que converteu a primeira cobrança da série, foi duro com o elenco em entrevista à ESPN, reproduzida pela Gazeta Esportiva: "Precisávamos ser um time, e não fomos o time que tínhamos que ser. Se não estivermos no máximo, pagamos muito caro." O uruguaio disse que "era uma oportunidade divina de chegar a essa final, com um elenco que merecia mais". O zagueiro Léo Pereira, que fez o segundo gol do Flamengo nos pênaltis, pediu desculpas na zona mista, segundo o 365Scores: "Foi um dia muito, muito abaixo e a gente tem que dar uma resposta. Dói pra caramba, é triste pela campanha que a gente vinha fazendo."
Fora da Libertadores e da Copa do Brasil, o Flamengo tem agora apenas o Brasileirão, que lidera com 67 pontos, um a mais que o Palmeiras, adversário do Estudiantes na final de 28 de novembro, em Montevidéu. "Temos que tentar elevar o astral do time, do grupo, de todo mundo", disse Arrascaeta. O próximo compromisso é na segunda-feira (26), às 20h, contra o Atlético-MG, no Maracanã, pela 32ª rodada; na quinta-feira (29), o time visita o Vasco.
Informações de Lance!, Metrópoles, Gazeta Esportiva e 365Scores.