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Fair play financeiro · Anresf

Painel da Anresf mostra que os 40 clubes das Séries A e B devem mais de R$ 25 bilhões; Corinthians lidera com R$ 2,76 bilhões, e Atlético-MG, São Paulo e Botafogo também passam de R$ 2 bilhões

Agência de fair play financeiro ligada à CBF passou a exibir o passivo de cada clube no fim de 2025; só seis times da Série A não declararam nenhum atraso, e a Chapecoense contestou em nota a leitura dos seus números

Por Redação TV Arena21/10, 18h00
Arte: TV Arena Esportes.

A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf), órgão de fair play financeiro ligado à CBF, colocou no ar um painel com a situação financeira dos 40 clubes das Séries A e B, e os números começaram a circular na tarde desta quarta-feira (21), publicados por Band, Metrópoles, Lance! e Estadão. Somadas, as dívidas passam de R$ 25 bilhões: R$ 22,08 bilhões estão nos clubes da Série A e R$ 2,92 bilhões nos da Série B. A base é o balanço de 31 de dezembro de 2025; os atrasos de pagamento são os que os próprios clubes declararam na janela de 30 de junho de 2026.

O Corinthians aparece no topo, com cerca de R$ 2,76 bilhões de passivo, dos quais R$ 980 milhões (35,51%) vencem em até 12 meses, segundo a Band. Logo atrás vêm Atlético-MG (R$ 2,66 bilhões), São Paulo (R$ 2,45 bilhões) e Botafogo (R$ 2,01 bilhões), os quatro acima da marca de R$ 2 bilhões. O caso mais delicado no curto prazo é o do Galo: 51,13% da dívida, cerca de R$ 1,36 bilhão, vencia em até um ano no fim de 2025 — o Torcedores ressalta que o clube reduziu parte desse valor ao longo de 2026. No Botafogo, a fatia de curto prazo chega a 67,16%.

Completam a lista dos dez maiores devedores Palmeiras (R$ 1,58 bilhão), Cruzeiro (R$ 1,36 bilhão), Internacional (R$ 1,27 bilhão), Flamengo (R$ 1,26 bilhão), Santos (R$ 1,23 bilhão) e Vasco (R$ 1,10 bilhão). Fluminense (R$ 1,04 bilhão) é o último acima de R$ 1 bilhão, seguido por Grêmio (R$ 936 milhões) e Red Bull Bragantino (R$ 772 milhões). Na outra ponta da Série A estão Mirassol (R$ 11 milhões), Remo (R$ 37 milhões) e Chapecoense (R$ 174 milhões). Na Série B, o Sport lidera com R$ 422 milhões, à frente de Náutico (R$ 292 milhões), Fortaleza (R$ 291 milhões) e América-MG (R$ 283 milhões); o CRB tem o menor passivo das duas divisões, cerca de R$ 900 mil, seguido pelo Operário-PR (R$ 4,2 milhões).

Endividamento alto não é, por si, infração: o que a Anresf pune é atraso. Segundo a Band, 25 clubes declararam ao menos uma pendência — 13 da Série A e 12 da Série B —, e só seis da elite informaram estar em dia com salários, transferências e tributos: Bahia, Chapecoense, Flamengo, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino. O painel também mostra que 16 clubes das duas divisões estão em recuperação judicial ou em plano de pagamento a credores (dez deles na Série A), entre eles Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Santos e Vasco. A agência informa ainda, segundo o Lance!, que pode passar a exigir o saldo médio mensal do último trimestre, e não só o de 31 de dezembro, para coibir “movimentos financeiros artificiais nos últimos dias do ano”.

Os números saíram dois dias depois de a própria Anresf dar 45 dias para Atlético-MG, Grêmio, Internacional e São Paulo quitarem dívidas de 2026 com outros clubes, sob risco de transfer ban (proibição de registrar jogadores). A Chapecoense reagiu à repercussão: em nota oficial publicada às 17h12 desta quarta, rebateu uma reportagem do ge e afirmou que os valores atribuídos a ela não são “dívidas em atraso”. Pelo clube, 55% do total está no Plano de Recuperação Judicial, com descontos de 60% a 85% aos credores e prazo de até dez anos, 21% são tributos parcelados e 20% são provisões para ações trabalhistas ainda em curso; a Chape diz estar em dia e cita o próprio portal da Anresf, sem atrasos em 30 de junho.

O próximo passo é a declaração de 30 de novembro, que retrata a situação em 30 de outubro. Até lá vale o período de transição para obrigações assumidas antes de 1º de janeiro de 2026: descumprimento dessas dívidas antigas rende só advertência, e as sanções completas do regulamento passam a valer depois de 30 de novembro. A agência também recomendou a regularização dos tributos de 2026 até 31 de outubro. Segundo o Torcedores, parte dos clubes tenta estender a transição até o fim de 2027 ou 2028, mas a Anresf ainda não recebeu proposta formal.

Informações de Band, Lance!, Metrópoles, Torcedores e Chapecoense (nota oficial).