Justiça nega a prisão preventiva do vice Armando Mendonça no caso dos materiais da Nike e rejeita afastá-lo do cargo no Corinthians
Juíza Amanda Eiko Sato, da 25ª Vara Criminal da Barra Funda, não viu prova de que o dirigente influenciou a demissão da testemunha Marcelo Munhoes; audiência de instrução segue marcada para 10 de novembro
A Justiça de São Paulo negou o pedido do Ministério Público para prender preventivamente Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians e réu no processo que apura o desvio de materiais esportivos fornecidos pela Nike ao clube. A decisão foi tomada na noite de quinta-feira (22) pela juíza Amanda Eiko Sato, da 25ª Vara Criminal do Foro da Barra Funda, e revelada por Gazeta Esportiva, Meu Timão, Lance! e Band. A magistrada indeferiu todos os pedidos apresentados pelo promotor Cássio Roberto Conserino, inclusive as medidas cautelares alternativas à prisão.
Além da prisão, o MP-SP havia pedido o afastamento de Mendonça do cargo estatutário no clube, a proibição de acesso às dependências do Corinthians e a restrição de contato com dirigentes e testemunhas. Com a decisão, o vice segue no cargo e sem nenhuma restrição imposta pela Justiça. O pedido tinha sido apresentado em 16 de outubro, depois da demissão de Marcelo Munhoes, então diretor de Tecnologia do clube e testemunha de acusação — foi ele quem forneceu as informações técnicas da auditoria interna que apontou as irregularidades.
Para Conserino, a dispensa de Munhoes às vésperas da audiência poderia representar uma tentativa de intimidar testemunhas e interferir nas provas. A juíza não concordou. Segundo a decisão, citada pela Gazeta Esportiva, o desligamento foi atribuído à presidência do clube, em contexto político-eleitoral, “sem demonstração de que Armando tenha determinado, solicitado ou influenciado a decisão”. A magistrada também registrou que não há notícia de contato do vice com a testemunha para constrangê-la e que “a proximidade entre o desligamento e a audiência, isoladamente, não comprova risco concreto à investigação”.
A defesa de Mendonça, que havia classificado o pedido como baseado em “suposições sem provas”, segundo o Lance!, também saiu derrotada em um ponto: a juíza negou reconsiderar a decisão de agosto que rejeitou a suspeição do promotor. Os advogados citaram a nota oficial do Corinthians, o próprio pedido de prisão, um contato com testemunha e manifestações de Conserino na imprensa. A juíza respondeu que “eventuais equívocos na interpretação dos fatos, por si só, não justificam o reconhecimento da suspeição” e que pedir prisão preventiva faz parte das atribuições do promotor. Conserino, que já disse ser corintiano, afirma que isso não interfere em seu trabalho, segundo o Meu Timão.
Mendonça virou réu em junho por apropriação indébita agravada continuada, tentativa de apropriação indébita, furto qualificado pelo abuso de confiança e coação no curso do processo — esta última por supostas ameaças a funcionários que conduziram a auditoria. A acusação, de acordo com a Band, aponta a apropriação de cerca de 131 itens da Nike. A auditoria, encomendada pelo presidente Osmar Stabile, também apontou retiradas acima da cota anual, peças em más condições e falhas no recebimento, no controle e na distribuição do material. O vice nega irregularidades, diz que as retiradas foram transferências administrativas legítimas e chama os relatórios de “politicamente motivados”.
O processo segue: a juíza manteve as decisões anteriores e mandou cumprir as providências pendentes para a audiência de instrução, marcada para 10 de novembro. Em paralelo, continua o procedimento aberto pelo promotor para apurar as circunstâncias da demissão de Munhoes. O caso corre a pouco mais de um mês da eleição presidencial do Corinthians, prevista para 28 de novembro, segundo o Meu Timão, e no meio da luta do time contra o rebaixamento: neste sábado (24), às 18h30, o Corinthians enfrenta o Vasco em São Januário, pela 32ª rodada do Brasileirão.
Informações de Gazeta Esportiva, Meu Timão, Lance! e Band.