Corinthians/Notícia
Corinthians · Política

Comissão de Ética converte processo contra Osmar Stabile em rito de destituição por contratos de segurança privada do Corinthians

Despacho de Leonardo Pantaleão vê indícios de gestão irregular ou temerária na contratação da Bear Security; presidente tem dez dias para se defender e não está afastado

Por Redação TV Arena28/10, 15h50
Arte: TV Arena Esportes.

A Comissão de Ética e Disciplina do Conselho Deliberativo do Corinthians decidiu nesta quarta-feira (28) que o procedimento aberto contra o presidente Osmar Stabile passa a seguir o rito de destituição previsto no artigo 107 do Estatuto Social do clube. O despacho foi assinado por Leonardo Pantaleão, presidente da comissão, e divulgado primeiro pelo TMC, por volta do meio-dia; a Gazeta Esportiva e o InfoTimão confirmaram o teor da decisão no início da tarde.

A apuração trata da contratação de empresas de segurança privada durante a gestão Stabile. Segundo a Gazeta Esportiva, a comissão aponta, em tese, três enquadramentos no artigo 106 do Estatuto: o uso de serviços de segurança pagos pelo clube em benefício de interesses particulares, incluindo familiares do presidente, com possível prejuízo ao patrimônio ou à imagem do Corinthians (alínea "b"); a falta dos três orçamentos prévios exigidos pelo Estatuto, sem documento que mostre que o Conselho de Orientação (Cori) dispensou a exigência (alínea "d"); e a contratação da Bear Security Ltda. sem comprovação de autorização da Polícia Federal para atuar com segurança privada, o que poderia configurar gestão irregular ou temerária (alínea "e").

Os valores em jogo constam de levantamento do Ministério Público citado pelo InfoTimão: o Corinthians pagou R$ 721.194,66 à Bear Security entre julho de 2025 e agosto de 2026. Outra empresa, a Mega Assessoria Operacional, recebeu cerca de R$ 676,6 mil em três notas fiscais por serviços prestados entre setembro e outubro de 2025. Em entrevista ao TMC, Stabile admitiu ter contratado a Bear Security. O clube contesta que os serviços tenham atendido a interesses particulares e sustenta, segundo o InfoTimão, que a segurança era necessária por riscos ao presidente e à família dele e que os valores eram compatíveis com o mercado.

A mudança de rito não afasta Stabile do cargo nem conclui que ele cometeu infração. A comissão reconheceu "elementos suficientes" para o caso seguir pelo caminho estatutário, depois de uma instrução que teve coleta de documentos, diligências, oitiva de testemunhas, audiência e defesa escrita do presidente. Pantaleão também negou o pedido da defesa por um prazo extra para examinar documentos, sob o argumento de que as propostas comerciais e a análise de integridade já estavam disponíveis antes da entrega da defesa escrita.

Os próximos passos, segundo o InfoTimão: Stabile será intimado formalmente e terá dez dias, a partir da intimação, para apresentar defesa específica e indicar provas. A comissão então elabora um parecer, que segue para a presidência do Conselho Deliberativo; se houver sessão, comissão e defesa fazem sustentação oral e os conselheiros votam em escrutínio secreto. Se a destituição for aprovada no Conselho, o presidente é afastado cautelarmente e a Assembleia Geral de sócios precisa ser convocada em até cinco dias — só o resultado dela torna a destituição definitiva, conforme o parágrafo único do artigo 107.

Stabile chegou à presidência depois do impeachment de Augusto Melo, em 2025, e foi confirmado no cargo em eleição indireta; ele já anunciou que não disputará a eleição presidencial marcada para 28 de novembro. O processo se soma a uma crise política que já tem inquérito do Ministério Público e ação na Justiça, e coincide com a pior fase do time em campo: o Corinthians está na zona de rebaixamento do Brasileirão e recebe o Mirassol nesta sexta-feira (30), às 20h, na Neo Química Arena, pela 33ª rodada.

Informações de Gazeta Esportiva, InfoTimão e TMC.