Conmebol rejeita o protesto do Flamengo contra a escalação de Marcos Rojo, e Estudiantes está confirmado na final da Libertadores contra o Palmeiras
Comissão Disciplinar negou integralmente a reclamação e o pedido de medidas cautelares; Flamengo ainda pode recorrer à Comissão de Apelações em sete dias, e o TAS julga o mérito do caso
A Comissão Disciplinar da Conmebol rejeitou nesta quarta-feira (28) a reclamação do Flamengo contra a escalação do zagueiro argentino Marcos Rojo pelo Estudiantes no jogo de volta da semifinal da Copa Libertadores, em 22 de outubro, no Maracanã. O órgão também negou o pedido de medidas cautelares feito pelo clube carioca. A decisão foi tornada pública pelo próprio Estudiantes, em comunicado nas redes sociais, e confirmada por Lance!, Gazeta Esportiva e pelo jornal argentino La Nación. Com isso, o time de La Plata segue classificado para a final contra o Palmeiras.
No comunicado, o Estudiantes informou que a comissão decidiu "rechazar íntegramente la protesta" apresentada pelo Flamengo e encerrou a mensagem com um recado à torcida: "¡Nos vemos el 28, familia!". Segundo o Lance!, a decisão da Conmebol levou em conta a medida cautelar concedida em 21 de outubro pelo vice-presidente da Câmara de Apelações do Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), que autorizou provisoriamente a inscrição de Rojo na lista da semifinal. Até a publicação desta matéria, o Flamengo não havia divulgado nota oficial sobre o resultado.
O Flamengo formalizou a reclamação em 23 de outubro, um dia depois do 0 a 0 no Maracanã que levou a semifinal para os pênaltis, vencidos pelo Estudiantes por 3 a 2 — a ida, em La Plata, também havia terminado sem gols. O clube pedia que a partida fosse declarada vitória rubro-negra por 3 a 0, punição prevista para escalação irregular, o que inverteria a classificação. O argumento era que a autorização do TAS era apenas provisória e não resolvia se a inscrição era válida, de acordo com a Gazeta Esportiva. O La Nación lembra que o Flamengo citou precedentes de clubes que perderam pontos na Libertadores por escalação irregular, como os casos de Carlos Sánchez, do Santos, e de Luiz Otávio, da Chapecoense.
A origem do caso está no retorno de Rojo, de 36 anos, ao Estudiantes no início de outubro, depois de rescindir com o Racing. O clube o inscreveu na vaga do volante uruguaio Gabriel Neves, lesionado, mas a Conmebol recusou o registro por entender que ele foi feito fora do período permitido no sistema TMS: segundo o La Nación, a janela argentina fechou em 2 de setembro, e Rojo disputou jogos oficiais pelo Racing até 27 de setembro. O Estudiantes recorreu ao TAS, que emitiu a liminar sem julgar o mérito e sem impedir que a Conmebol avaliasse uma sanção depois. Rojo desfalcou a ida e foi titular no Maracanã.
O caso ainda não está necessariamente encerrado. O Flamengo pode recorrer à Comissão de Apelações da Conmebol em até sete dias corridos, contados a partir do dia seguinte à notificação dos fundamentos da decisão, informam Lance! e Terra; o recurso exige o pagamento de uma taxa de US$ 3 mil prevista no Código Disciplinar. O TAS também ainda vai julgar o mérito do recurso do Estudiantes. O site Lei em Campo ressalta que o comunicado argentino não trouxe a fundamentação da decisão e que, por isso, é possível dizer que o Flamengo perdeu esta etapa, mas não cravar o fim do caso.
Do lado argentino, o presidente Juan Sebastián Verón já havia dito que o clube não corria riscos: "Não corremos risco de não poder jogar a final, fizemos tudo com assessoria", afirmou, segundo o La Nación. O técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, também comentou o caso antes da decisão: "O Estudiantes ganhou em campo", disse, acrescentando que a Conmebol "é uma organização competente", de acordo com o jornal argentino. O La Nación informa ainda que a venda de ingressos para a final estava suspensa à espera da decisão e que cada clube deve receber cerca de 11 mil entradas populares.
A final da Libertadores está marcada para sábado, 28 de novembro, em jogo único no Estádio Centenário, em Montevidéu. O Estudiantes, campeão em 1968, 1969, 1970 e 2009, busca o quinto título; o Palmeiras, que eliminou o Fluminense nos pênaltis na outra semifinal, tenta a quarta conquista. Enquanto isso, o Flamengo concentra as atenções no Brasileirão, que lidera com 70 pontos, um a mais que o Palmeiras, depois da virada por 3 a 2 sobre o Atlético-MG na segunda-feira (26).
Informações de Lance!, Gazeta Esportiva, La Nación, Terra e Lei em Campo.