Futebol · Fim das bets

Clubes paulistas fecham frente comum, Sinafut vai ao STF e Bap pergunta: "Como vou pagar o Paquetá em janeiro?"

Onze clubes se reuniram na Federação Paulista; sindicato dos clubes pede a Luiz Fux a suspensão da MP das bets ou uma transição, e o Flamengo projeta perda de pelo menos R$ 400 milhões

Por Redação TV Arena29/09
Arte: TV Arena Esportes.

A reação dos clubes à medida provisória que proibiu as casas de apostas no Brasil ganhou três frentes na segunda-feira (28). Em São Paulo, 11 clubes se reuniram na sede da Federação Paulista de Futebol e decidiram agir em conjunto: Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Red Bull Bragantino e Mirassol, da Série A; Novorizontino, São Bernardo, Botafogo-SP e Ponte Preta, da Série B; e o Juventus, segundo o No Ataque e a Folhapress.

Não houve medida concreta. De acordo com as duas publicações, os departamentos jurídicos e de marketing trocaram informações sobre os contratos, e cada clube vai renegociar individualmente com seus patrocinadores. A maior preocupação, segundo o No Ataque, são as cláusulas de adiantamento de valores e a receita que some com a retirada das marcas de camisas e placas, cujo prazo termina às 23h59 do dia 5 de outubro; a partir do dia 6, os sites precisam sair do ar.

Em Brasília, o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) pediu ao Supremo Tribunal Federal a suspensão dos efeitos da MP até que o Congresso vote o texto ou o STF julgue o mérito, ou, como alternativa, um período de transição antes da proibição. O pedido foi apresentado ao ministro Luiz Fux, relator de ações que já tramitam sobre as apostas, com o sindicato como parte interessada, segundo o Lance e a Máquina do Esporte. O Lance fala em transição mínima de seis meses. Até a noite de segunda, não havia decisão.

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, publicou um vídeo nas redes do clube em que projeta uma perda de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões para o clube, conforme o veículo, somando o patrocínio máster da Betano, de cerca de R$ 270 milhões por ano, e outros acordos. "Como é que eu vou pagar o Paquetá em janeiro?", perguntou, segundo o No Ataque e a Coluna do Fla. "Essa medida compromete as receitas do futuro. Isso afeta a folha do futebol", disse. O clube defende regulação e combate ao jogo ilegal, e não a proibição total.

O governo mantém a posição. Na segunda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que "nos melhores momentos da história do futebol brasileiro, não existiam bets" e que "os clubes que se virem", segundo o Metrópoles e o Estado de Minas. A reunião do Ministério do Esporte com os clubes, que seria nesta terça-feira (29), foi adiada e ainda não tem nova data; a CBF ficou encarregada de fazer a ponte com os clubes das quatro divisões.

Os números explicam a pressa. Segundo o Lance, as bets pagaram R$ 1,14 bilhão em patrocínios aos clubes da Série A em 2025, 7,9% da receita somada da elite. A MP 1.394 foi assinada em 25 de setembro, tem força de lei imediata e precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias, segundo o Metrópoles.

Informações de No Ataque, Notícias ao Minuto (Folhapress), Lance!, Máquina do Esporte, No Ataque (Flamengo), Coluna do Fla e Metrópoles.