Com Tifanny liberada por liminar duas horas antes, Osasco vence o Praia Clube por 3 a 0 e conquista a Supercopa em São Luís
Parciais de 25/22, 25/21 e 25/21 no Castelinho; a oposta fez 15 pontos e foi eleita a melhor em quadra, e a CBV promete recorrer da decisão da 44ª Vara Cível do Rio
O Osasco São Cristóvão Saúde venceu o Dentil Praia Clube por 3 sets a 0, com parciais de 25/22, 25/21 e 25/21, na noite desta sexta-feira (16), no Ginásio Castelinho, em São Luís (MA), e conquistou a Supercopa Feminina de Vôlei pela segunda vez seguida. O jogo abre a temporada nacional do vôlei feminino, e o Praia entrou em quadra como atual campeão da Superliga.
A decisão só teve Tifanny Abreu em quadra por causa de uma liminar da Justiça comum. A 44ª Vara Cível da Capital, no Rio de Janeiro, em decisão do juiz Antonio Luiz da Fonseca Lucchese, determinou que a CBV reconheça de forma provisória a elegibilidade e a inscrição da oposta, sob multa de R$ 5 mil por jogo em caso de descumprimento, e proibiu punições ao Osasco por escalá-la, como perda de pontos, W.O. ou multa, informou a Gazeta Esportiva. Segundo nota da própria CBV, a decisão saiu às 19h12, menos de duas horas antes do início da partida, marcada para as 21h. Mais cedo, o STJD havia negado o pedido de liminar do clube.
Na argumentação, o juiz considerou que a nova política de elegibilidade foi adotada no meio da temporada, sem regra de transição para atletas já inscritas, e que impedir Tifanny de jogar causaria dano irreparável, já que a Supercopa é decidida em jogo único. Em agosto, a CBV alinhou seu regulamento ao do COI, da FIVB e da CSV e restringiu a categoria feminina a ‘atletas do sexo biológico feminino’, com base em triagem do gene SRY; as inscrições da oposta foram deixadas como ‘pendentes’. A defesa, do advogado Luis Fernando Novaes, sustenta que ela disputa competições femininas da CBV desde 2017.
Em quadra, Tifanny começou como titular — o Osasco de Luizomar de Moura manteve a escalação em segredo até minutos antes do jogo — e terminou com 15 pontos (10 de ataque, 3 de saque e 2 de bloqueio), recebendo o Troféu VivaVôlei de melhor em quadra, de acordo com o Webvolei. A polonesa Magdalena Stysiak, de 2,03 m, foi a maior pontuadora do time, com 16, seguida de Amanda (10) e Lays (9), que fez cinco bloqueios. O Osasco teve 38 pontos de ataque contra 36, 7 aces contra 2 e 11 bloqueios contra 9, e errou bem menos: 15 a 22. Um ace fechou a final.
Do lado do Praia, Sabrina foi a maior pontuadora do jogo, com 17 pontos e 50% de aproveitamento no ataque; as demais atacantes do time do técnico Rui Moreira ficaram entre 17% e 38%. Michelle e Adenízia fizeram 7 cada, e Kuznetsova, 6. O Osasco chegou a abrir 7 a 1 no segundo set, quando Rui Moreira chamou as jogadoras de ‘indisciplinadas’ num pedido de tempo, segundo o Webvolei. O time mineiro só esteve à frente do placar uma vez, em 5 a 4 no terceiro set, num ponto de Michelle.
A CBV informou em nota que foi notificada da decisão, que vale de forma ‘excepcional e provisória’ para a Supercopa e para a Superliga 2026/27, e que ‘apresentará os recursos cabíveis e adotará as medidas necessárias para a reversão da decisão’. A entidade afirmou ainda que respeita a dignidade de todas as atletas e repudia manifestações discriminatórias. O caso segue também na Justiça Desportiva, onde tramita o mandado de garantia nº 002/2026.
A Superliga começa já na próxima semana. O Osasco estreia na segunda-feira (19), às 18h30, fora de casa, contra o Brasília BRB Vôlei. O Praia Clube, que defende o título e busca o quarto troféu nacional, estreia na terça-feira (20), às 21h, contra o Pinheiros, no Ginásio do UTC, em Uberlândia.
Informações de Lance!, O Tempo, Webvolei, Gazeta Esportiva e Lance! (nota da CBV).