F1 fecha contrato de dez anos com Ruanda e volta à África com um GP em Bugesera, perto de Kigali, a partir de 2030 ou 2031
Circuito permanente desenhado por Alex Wurz com o escritório de Hermann Tilke ainda será construído; última corrida no continente foi em Kyalami, em 1993
A Fórmula 1 anunciou nesta terça-feira (13), em Kigali, um acordo de pelo menos dez anos com Ruanda para a realização do “Formula 1 African Grand Prix, presented by Visit Rwanda”. O anúncio foi feito na capital ruandesa com a presença do presidente do país, Paul Kagame, do presidente e CEO da F1, Stefano Domenicali, e do presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, segundo o Ámbito. A estreia não tem data fechada: a categoria fala no “início da década de 2030”, e a primeira edição pode acontecer em 2030 ou 2031, a depender do andamento das obras e da homologação da pista, de acordo com o Lance! e a AFP.
A corrida será disputada no Rwanda International Circuit, um autódromo permanente que ainda vai ser construído em Bugesera, a cerca de 40 km ao sul de Kigali, ao lado do novo aeroporto internacional da capital. O traçado foi desenhado pelo ex-piloto austríaco Alex Wurz e sua empresa em parceria com o escritório do engenheiro alemão Hermann Tilke, terá curvas de média e alta velocidade aproveitando o relevo montanhoso da região e será homologado no Grau 1 da FIA, o exigido para a F1. O complexo também terá áreas para eventos, conferências e entretenimento, informou o Lance!.
O Ámbito calcula o projeto em US$ 3,2 bilhões: US$ 1,2 bilhão para o autódromo, com previsão de ficar pronto em 2029, e US$ 2 bilhões para o Aeroporto Internacional de Bugesera, que deve começar a operar em 2028. Segundo o jornal argentino, o Catar financiaria cerca de 70% do total, e Ruanda cobriria o restante; o formato do aporte (investimento direto ou empréstimo) e a taxa anual paga à F1 não foram divulgados.
Domenicali chamou o retorno de marco para a categoria, que passará a correr em todos os continentes habitados, e disse, segundo a AFP, que um em cada oito fãs da F1 é africano, numa audiência global de 800 milhões de pessoas. Kagame classificou o acordo como “um marco para todo o continente” e afirmou que ele vai mudar a percepção da África no esporte, além de gerar empregos, turismo, investimentos e formar profissionais e futuros pilotos locais. Lewis Hamilton, da Ferrari, é há anos o principal defensor de uma corrida africana e já citou Ruanda, Quênia e África do Sul como destinos possíveis; sua presença na prova inaugural não está garantida.
A África não recebe a F1 desde o GP da África do Sul de 1993, vencido por Alain Prost em Kyalami — se a estreia for em 2030, serão 37 anos de ausência. Desde 1950, o continente teve 24 Grandes Prêmios: 23 em Kyalami, entre 1967 e 1993, e um em Ain-Diab, no Marrocos, em 1958, segundo a AFP. Ruanda já sediou o Congresso da Fifa em 2023, a cerimônia de premiação da FIA em 2024 e o Mundial de Ciclismo de Estrada em 2025, o primeiro em solo africano, e patrocina clubes como PSG e Atlético de Madrid, além do Los Angeles Clippers, da NBA. A AFP registra que críticos acusam o governo de Kagame de violações de direitos humanos e de usar o esporte para melhorar a imagem do país, prática conhecida como “sportswashing”.
O calendário da F1 tem limite de 24 corridas, e a entrada de Ruanda dependerá de vagas abertas por outras praças no início da próxima década. A F1 diz que vai anunciar a data da primeira corrida mais tarde, quando o cronograma de obras estiver definido. Na temporada atual, a próxima etapa é o GP dos Estados Unidos, de 23 a 25 de outubro, em Austin, onde Kimi Antonelli chega com 102 pontos de vantagem sobre George Russell na briga pelo título.
Informações de Lance!, Ámbito e AFP / Yahoo Notícias.